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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Audioteca no Rio precisa da ajuda de voluntários

RJTV
19/11/2010

Maioria do acervo ainda está gravado em fitas cassete. População pode ajudar com dinheiro ou até gravando livros

da Redação
A maior audioteca do estado do Rio está precisando da ajuda de voluntários para que deficientes visuais continuem tendo acesso aos mais de 3 mil livros gravados do acervo.
Localizada na Rua 1º de Março, no Centro do Rio, a maior parte dos livros da Audioteca Sal e Luz, que é uma instituição sem fins lucrativos, ainda está gravada em fitas cassete, mídia obsoleta e pouco usada nos dias atuais.
De acordo com a administração da Audioteca, faltam recursos para passar todas as fitas para CDs, mídia mais moderna.
“Temos uma parceria com a Secretaria estadual de Assistência Social que acaba em novembro. E a partir de novembro vamos ficar sem recursos. Por isso a Audioteca pede recursos, ajuda da sociedade para quem puder, quem gosta da ideia da Audioteca”, disse a voluntária Cristhiane Blume.
O espaço, que funciona desde 1986, conta com quatro estúdios onde as gravações são feitas por voluntários. As obras variam de livros de literatura clássica a infanto-juvenil. Os livros são emprestados gratuitamente para deficientes visuais de todo o Brasil. O envio das obras pelo Correio também é gratuito.
Voluntários podem fazer contribuições em dinheiro. Mas, quem preferir, também pode ajudar lendo e gravando livros. A aposentada Nilza Lopes, de 81 anos, diz que ajuda há 17 anos. Ela conta que já leu livros de massoterapia, telemarketing, câmara escura, culinária e até tricô.
A magia dos livros gravados também chega ao ouvido de crianças com deficiência visual. Juliana, de 10 anos, conta que o lugar a deixa muito feliz.
“Aqui é o maior lugar que eu já encontrei na minha vida. Cheio de gente legal. Cheio de livros”, diz a menina.
Serviço:
Os interessados em contribuir com a Audioteca Sal e Luz podem obter mais informações pelo telefone: 2233-8007. A instituição fica na Rua 1º de Março, 125, 7º andar, no Centro.

"Inclusão é interagir com o outro" diz Maria Teresa Égler Mantoan

Em entrevista, pedagoga da Unicamp discute o real sentido da palavra inclusão e como ela deve ser encarada nas salas de aula

da Redação
Maria Teresa Égler Mantoan é professora da faculdade de educação da Unicamp. Na entrevista à seguir, a pedagoga discute temas como inclusão nas salas de aula, levando em conta que esta só ocorre quando aprendemos não só a partilhar o espaço, mas sim a conviver, interagir e aprender com quem está ao nosso redor.
O que é inclusão?
É a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento mental, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro.
Que benefícios a inclusão traz a alunos e professores?
A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos. A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência, pela classe social ou pela cor que, por direito, ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade. Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser. Além disso, para nós, professores, o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação.
Como está a inclusão no Brasil hoje?
Estamos caminhando devagar. O maior problema é que as redes de ensino e as escolas não cumprem a lei. A nossa Constituição garante desde 1988 o acesso de todos ao Ensino Fundamental, sendo que alunos com necessidades especiais devem receber atendimento especializado preferencialmente na escola , que não substitui o ensino regular. Há outra questão, um movimento de resistência que tenta impedir a inclusão de caminhar: a força corporativa de instituições especializadas, principalmente em deficiência mental. Muita gente continua acreditando que o melhor é excluir, manter as crianças em escolas especiais, que dão ensino adaptado. Mas já avançamos. Hoje todo mundo sabe que elas têm o direito de ir para a escola regular. Estamos num processo de conscientização.

Vibrato: caixa de som para surdos

Fórum PCs
08/11/2010

Invenção permite a deficientes auditivos "ouvirem" música por meio de vibrações

da Redação
Uma nova invenção permitirá que pessoas com deficiência auditiva possam sentir som e música com os dedos. Trata-se do Vibrato, um aparelho que se conecta a um alto falante comum e simula o som audível em superfícies vibrantes ultra-sensíveis.
O Vibrato se baseia no princípio simples da sinestesia, simulando no tato dos dedos as ondas sonoras que a audição humana capta no ar. Ao emitir vibrações de intensidade, velocidade e tipos diferentes, o invento abrange as três qualidades do som: frequência, volume e timbre. Os pads tremem de acordo com o de som que está sendo emitido nas caixas. Frequências mais graves são traduzidos por vibrações mais espaçadas, enquanto os agudos farão as superfícies do Vibrato tremerem rapidamente.
O invento já está sendo adotado em projetos de escolas dos EUA. Crianças com deficiências auditivas poderão agora participar de oficinas de música, além de poderem utilizar alguns dos mesmos programas sonoros de aprendizado que as outras. Além disso, oficinas musicais para surdo já estão nos planos.
A invenção apenas comprova o que Beethoven já havia alertado: a surdez não limita a criação musical. O compositor alemão chegou a contemplar o suicídio quando soube que estava ficando surdo aos 28 anos, mas desistiu da idéia e acabou compondo algumas de suas maiores obras sem escutar, apenas sentindo as vibrações do piano.

2ª Edição do Curso de Criação e Gerenciamento de Projetos Culturais Acessíveis às Pessoas com Deficiência

RINAM
08/11/2010

Fundação Dorina Nowill em parceria com a Museus Acessíveis promove o curso para capacitação em desenvolvimento de projetos de inclusão e acessibilidade

da Redação
De 06 a 10 de Dezembro a Museus Acessíveis em parceria com a Fundação Dorina Nowill, oferecerá a 2ª edição do curso como o objetivo de capacitar profissionais e estudantes a desenvolverem projetos de inclusão e acessibilidade cultural em espaços culturais. Não perca! Faça logo sua inscrição
Curso Espaços Culturais Acessíveis
Entre os dias 22, 23 e 24 de novembro no Rio de Janeiro, a Museus Acessíveis e o CEDICOM promovem o curso que foca práticas de acessibilidade em museus e espaços culturais, metodologias para a inclusão da pessoa com deficiência e casos bem sucedido
Exposição Paralela sem Barreiras de Acesso à Arte
A mostra é formada por 82 obras de arte de artistas plásticos nos galpões do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, sob curadoria de Paulo Reis.A exposição ainda conta com educadores treinados para que possam receber qualquer tipo de público, possibilidade de tocar a maioria das obras de arte, descrição das peças e espaço para deixar o cão guia.

Garoto britânico autista tem pavor de comer

Folha Online
05/11/2010

O menino de três anos rejeita qualquer comida e só se alimenta por tubos

Comentário SACI: No segundo parágrafo da matéria, Daniel Harrison é referido como "portador de autismo". Deficiências, entretanto, não são doenças e portanto não são coisas a serem portadas. O termo mais apropriado seria "pessoa com autismo" ou "criança com autismo".
da Redação
O caso de um garoto britânico que tem pavor de comer e precisa ser alimentado por tubos está gerando curiosidade no meio médico britânico.
Daniel Harrison, de três anos, sofreu tanto com refluxos gástricos quando era bebê que desde então tem ojeriza ao ato de comer, e se alimenta somente por tubos inseridos no estômago.
Portador de autismo, Harrison tem dificuldades de se comunicar e interagir com o mundo ao redor, o que representa um problema adicional para o tratamento.
No fim do ano passado, ele teve de fazer uma operação nos pulmões após contrair gripe suína.
A família, de Nottingham, já tentou buscar ajuda nos hospitais locais e no hospital infantil de Great Ormond Street, em Londres, sem solução.
O pai do menino, Kevin, afirmou ao jornal local "Nottingham Evening Post" que não há nenhum fator médico impedindo o garoto de comer.
"Falando em termos médicos, não há nada", afirmou. "Está tudo na cabeça dele e ninguém consegue ajudar."
A família acredita que pode tratar o menino em uma clínica em Graz, na Áustria, quer diz ter conseguido tratar outros 12 casos semelhantes ao de Daniel nos últimos vinte anos.
Entretanto, a viagem custaria mais de 20 mil libras (quase R$ 60 mil) e os Harrison ainda tentam angariar os recursos para o tratamento.

Terapia precoce pode ajudar a prevenir autismo

Yahoo Notícias
08/11/2010

Casal participa de estudo inovador, que tenta tratar o autismo durante o primeiro ano de vida do bebê

Claudia Lindenmeyer
Três anos se passaram desde que Diego recebeu o diagnóstico de autismo, aos 2 anos de idade. Desde então, sua mãe Carmen Aguilar já fez incontáveis contribuições para as pesquisas sobre a síndrome. Ela doou todos os tipos de amostras biológicas e concordou em manter um diário de tudo o que come, inala ou esfrega na pele.
Uma equipe de pesquisadores presenciou o nascimento de seu segundo filho, Emilio. A placenta, algumas amostras de tecido da mãe e as primeiras fezes do bebê foram colocados em um recipiente e entregues para serem analisados. Atualmente, a família participa de outro estudo: uma iniciativa de vários cientistas norte-americanos que buscam identificar sinais de autismo em crianças a partir dos 6 meses (até hoje, a síndrome não pode ser diagnosticada de forma confiável antes dos 2 anos de idade).
No Instituto MIND , no Davis Medical Center da Universidade da Califórnia, os cientistas estão observando bebês como Emilio em um esforço pioneiro para determinar se eles podem se beneficiar de tratamentos específicos. Assim, quando Emilio mostrou sinais de risco de autismo na sua avaliação de 6 meses - não fazia contato visual, não sorria para as pessoas, não balbuciava, mostrava interesse incomum por objetos - seus pais aceitaram de imediato o convite para que ele participasse de um programa de tratamento chamado "Infant Start".
O tratamento consiste de uma terapia diária, chamada "Early Start Denver Model" (ESDM), baseada em jogos e brincadeiras. Testes aleatórios têm demonstrado que a técnica melhora significativamente o QI, a linguagem e a sociabilidade em crianças com autismo. Além disso, os pesquisadores dizem que quanto antes tiver início o tratamento, maior será potencial de sucesso. "No fundo, o que podemos fazer é evitar que uma certa proporção de autismo ocorra," explica David Mandell, diretor adjunto do Centro de Pesquisas de Autismo do Hospital Pediátrico da Filadélfia.
"Eu não estou dizendo que estas crianças estão sendo curadas, mas podemos estar alterando suas trajetórias de desenvolvimento ao intervir precocemente, para que elas nunca sigam o caminho que leve à síndrome. É impossível conseguir isso se ficarmos esperando o completo surgimento da doença." Sally Rogers, a cientista do Instituto MIND que acompanha a família Aguilar, conta que já enfrentou muitos desafios na adaptação da terapia de crianças de mais de um ano para os bebês.
Mesmo os bebês com desenvolvimento normal para a idade ainda não podem falar ou gesticular, muito menos fingir. Em vez disso, Rogers pede que os pais prestem atenção no balbuciar e nas interações sociais simples que ocorrem durante as rotinas normais de alimentar, vestir, dar banho e trocar o bebê.
Durante a primeira sessão com Emilio, de 7 meses, Sally demonstrou aos pais Carmen e Saul jogos de esconde-esconde, cócegas e outras brincadeiras de interação com pessoas. Ela falou sobre as 12 semanas seguintes e como eles fariam para que Emilio trocasse sorrisos, atendesse pelo nome e balbuciasse, começando com uma única sílaba ("ma"), depois passando para duas ("gaga") e mais adiante para combinações mais complexas ("maga").
"A maioria dos bebês vem ao mundo com uma espécie de ímã embutido que atrai as pessoas", explica Sally. "Uma coisa que sabemos sobre o autismo é que ele enfraquece esse ímã. Não é que não se interessem, mas eles têm um pouco menos de atração pelas pessoas. Então, como podemos aumentar nosso apelo magnético para chamar sua atenção?"
A lição número um foi o contato visual. Sally pediu que os pais se revezassem para brincar com Emilio, incentivando-os a ficar cara a cara com o bebê e permanecer na sua linha de visão. Carmen Aguilar inclinou-se sobre o cobertor azul e sacudiu um brinquedo. "Emilio? Onde está o Emilio? Do outro lado do espelho de duas faces, um pesquisador acompanhava a sessão e um assistente monitorava três câmeras de vídeo na sala.
Sally Ozonoff, que foi a primeira a escolher Emilio para o estudo, parou para observar. "Ele está olhando apenas para o objeto, embora o rosto de sua mãe esteja a oito centímetros de distância", disse ela. "Ele tem um rosto muito sóbrio e tranquilo".
Saul Aguilar foi o próximo a tentar. Ele colocou Emilio em uma cadeira vermelha feita de um saco de sementes e dobrou os lados sobre o bebê. "Chuá, chuá, chuá!", fez Saul. Nenhuma resposta. Ele levantou Emilio para cima de sua cabeça e imitou um avião. Emilio olhou para o teto. Então Saul colocou o bebê de volta na cadeira e pegou um lobo de pelúcia. Pôs o lobo sobre a cabeça e deixou-o cair em suas mãos. "Pschooo! Uuooó! Finalmente, Emilio olhou.
"Isso foi ótimo", disse Sally Rogers ao pai do bebê. "Você colocou o brinquedo sobre a cabeça e ele foi atraído para o seu rosto. Você usou o brinquedo para melhorar a interação social. Ao trazê-lo até o seu rosto, Emilio percebe você." Embora as causas do autismo ainda sejam um mistério, os cientistas concordam que existe algum fator genético ou biológico envolvido.
Tratamentos experimentais como o "Infant Start" visam abordar o ambiente social em que o bebê vive, para descobrir se as mudanças em casa podem alterar o desenvolvimento biológico da doença. "As experiências formam os cérebros dos bebês de uma maneira muito física", explica Sally.
"As experiências determinam as sinapses; algumas são construídas e outras são dissolvidas." Na teoria, se um bebê prefere objetos em vez de rostos, uma "cascata de desenvolvimento" pode começar: os circuitos cerebrais que nasceram para a leitura facial são usados para outro fim, como o processamento da luz ou de objetos. Assim, os bebês perdem a capacidade de entender os sinais emocionais transmitidos pela observação de expressões faciais.
Quanto mais tempo o cérebro de um bebê seguir este curso de desenvolvimento, mais difícil torna-se a intervenção. Entretanto, o esforço de frear o autismo através de intervenções antecipadas apresenta um problema científico. Como não existe um diagnóstico formal de autismo antes dos 2 anos, é impossível distinguir entre os bebês que são ajudados pela intervenção e os que jamais teriam desenvolvido autismo.
Os pesquisadores precisam obter uma série de avanços com bebês como Emilio antes de fazer um estudo aleatório, comparando os bebês que recebem o tratamento com aqueles que não o recebem. Os pais de Emilio estão felizes por seu filho participar da primeira fase do programa piloto. Eles viram o filho mais velho, Diego, progredir tanto na terapia comportamental entre as idades de 3 e 5, que ficam muito esperançosos com o que poderá acontecer com o mais novo.
Saul Aguilar largou o emprego em uma empresa de telecomunicações para cuidar de Emilio e trabalhar em seus objetivos todos os dias. Carmen Aguilar havia deixado seu emprego de assistente social quando o primeiro filho recebeu o diagnóstico. Mas os planos para o futuro tiveram que ser revistos depois da avaliação de 6 meses de Emílio. "Eu sou a primeira pessoa da minha família a ir para a universidade," diz Carmen Aguilar.
"Meu pensamento foi: 'agora já preparei o futuro de meu filho.'" Mas, depois de saber que Emilio também pode ter autismo, ela diz que "você para de olhar para tão longe no futuro; somos forçados a pensar um dia de cada vez."

sábado, 20 de novembro de 2010

É o fim do braille?

Com o tema: 
É o fim do braile?
Tecnologias facilitam acesso dos cegos ao conhecimento, mas os afastam da leitura pelo tato.
Rodrigo Cardoso
Até dezembro, todos os 4.300 alunos com cegueira total do ensino
fundamental e médio matriculados nas escolas públicas do País irão
receber um laptop com um sintetizador de voz que lê para eles o texto da
tela. Dois mil já foram beneficiados e navegam nessa possibilidade,
segundo o Ministério da Educação (MEC). Em fevereiro, mais tecnologia
será despejada na carteira dos estudantes cegos que cursam do sexto ao nono
anos: uma coleção de 380 obras didáticas no formato digital Daisy.
Abreviação para Sistema Digital de Acesso à Informação, a solução
tecnológica batizada aqui de Mecdaisy permite ao aluno interagir com o
livro digital, podendo pausar, pular ou retornar às páginas e capítulos,
anexar anotações aos arquivos da obra e exportar o texto para impressão
em braile, o sistema de códigos que possibilitou aos deficientes visuais
o acesso à escrita e à leitura a partir do século XIX.
Embora o braile ainda seja defendido e aplicado pelas instituições de
ensino durante a alfabetização, já há correntes de educadores que temem
um afastamento dos estudantes com cegueira da leitura feita com os dedos
por conta desses dispositivos tecnológicos, está ocorrendo uma desbrailização", afirma o professor de geografia e
história Vítor Alberto Marques, do Instituto Benjamin Constant, entidade
pioneira para cegos no Brasil. "A criança acha chato ler em braile e
está migrando para outras tecnologias", diz ele.
O problema foi discutido na convenção anual que a Federação Nacional dos
Cegos dos Estados Unidos realizou no ano passado. No evento, painéis com
o slogan "ouvir não alfabetiza" foram espalhados para chamar a atenção
para um dado alarmante: 90% das crianças americanas com deficiência
visual estão crescendo sem aprender a ler e a escrever, segundo o
vice-presidente da organização, Fredric Schroeder. Isso ocorre porque
estão escravas de inovações como serviços telefônicos que leem jornal e
leitura em voz alta de e-mails. "Essas tecnologias promovem um tipo
passivo de leitura. Só por meio do braile o cérebro do deficiente visual
absorve letras, pontuação e estrutura de textos", defende Schroeder.
Mas o fato é que, hoje, o braile não reina mais sozinho na sala de aula.
No Instituto de Cegos Padre Chico, em São Paulo, que possui 99 alunos
carentes e segue a cartilha da Secretaria de Educação do Estado, os
estudantes encaram, antes da alfabetização, exercícios que os preparam
para o mundo digital. "Incentivamos a utilização do braile por meio de
concursos de redação e de leitura", diz a professora de informática
Cynthia Carvalho. "Mas o contato com o computador, entre outras coisas,
coloca a pessoa com cegueira em um patamar de igualdade." Aluno do quinto
ano do ensino fundamental, Giovany Oliveira, 11 anos, mostra, com as
mãos no teclado, um pouco da sua desenvoltura no computador. O garoto
digita na tela que nasceu sem visão e indica as teclas que o permitem
ler, por meio de uma voz que sai da caixa de som, palavra por palavra ou
a sentença toda. "No computador eu leio escutando. E o braile é legal
porque aprendo como se escreve a palavra", compara.
O Mecdaisy fará parte do currículo escolar, oficialmente, em 2011, para
jovens matriculados a partir do sexto ano. Esse software sonoro de livro
digital, porém, só será aplicado nas disciplinas de português, história,
geografia, ciências, e línguas estrangeiras. Matemática, física e
química, por conta dos símbolos gráficos, seguem sendo ensinadas apenas
em braile. Crianças matriculadas até o quarto ano receberão material
didático só em braile. Para a deficiente visual Martinha Clarete Dutra
dos Santos, diretora de políticas de educação especial do MEC,
audiolivros, leitores de tela e livros digitais são, no Brasil,
ferramentas complementares no processo de aprendizagem do deficiente
visual. "A tecnologia é um elemento de inclusão social no País", diz.
"Mas é preciso cuidado para que não haja uma desbrailização por conta dá
má utilização dessas inovações", pontua Moysés Bauer, presidente da
Organização Nacional dos Cegos do Brasil.
"A tecnologia é um elemento de inclusão social"
Martinha dos Santos, diretora de políticas de
educação especial do MEC
Na convenção da federação dos cegos americanos circularam histórias de
crianças que não sabiam o que era um parágrafo, que questionavam o
porquê das letras maiúsculas ou o porquê de a expressão "felizes para
sempre" ser composta por palavras separadas.
Foram prejudicadas, segundo Schroeder, pelo vício de somente ouvir o que
um software reproduz. "Essas tecnologias são sinal de progresso?",
indaga. O estudante Giovany, ao ser perguntado se ainda gostava de ler
em braile, confessou, sussurrando: "Todo dia, das 17h às 18h30, tenho de
ler um livro em braile para minha mãe. A psicóloga me pediu." Após
descobrir as maravilhas do computador, o garoto não queria saber de
outra coisa e dava escândalo se alguém o contrariasse. Um trato, então,
foi feito para colocá-lo na linha e manter o gosto pelo braile. Giovany
ganhou um computador e só pode usá-lo se cumprir uma rotina de leitura
pelo tato. É preciso cuidar para que o desenvolvimento tecnológico não
atrapalhe a alfabetização da pessoa com deficiência visual.