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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Curto período entre gestações aumenta risco de autismo do filho

G1
11/01/2011

Estudo da Universidade de Columbia relata recorrência de casos de autismo em crianças cujas diferenças de idade com irmãos sejam inferior a dois anos

da Redação
Uma criança que nasce menos de dois anos depois que o irmão tem mais chances de sofrer autismo que aquela que nasce pelo menos três anos depois, constata um estudo da Universidade de Columbia (Nova York), publicada nesta segunda-feira pela revista médica "Pediatrics".
Os pesquisadores determinaram, a partir de uma amostra de mais de 500 mil crianças californianas, que o espaço de tempo entre os nascimentos é um fator de risco para o diagnóstico do autismo.
As probabilidades de uma criança sofrer da doença aumentam quanto menor é o tempo que passou entre as gestações da mãe, de modo que as crianças que nascem menos de um ano após seus irmãos possuem risco mais elevado de sofrer autismo.
Os pesquisadores encontraram evidências do vínculo entre o período entre gestações e o autismo em pais de todas as idades, o que fez com que descartassem a possibilidade de que o fator de risco fosse a idade dos progenitores, e não o tempo transcorrido entre os nascimentos.
No entanto, um dos principais responsáveis do estudo, Peter Bearman, advertiu à "Pediatrics" que são necessárias mais pesquisas para confirmar a relação entre o período de tempo entre as gestações e o autismo. "A ciência é muito lenta e funciona passo a passo", declarou.
Os fatores que explicam a influência do período de tempo entre os nascimentos para a ocorrência da doença não "estão claros", lamentou Bearman

'Tenho carta branca para gastar', diz secretária da Pessoa com Deficiência de SP

Folha de S.Paulo
São Paulo - SP, 11/01/2011

Linamara Rizzo Battistella diz que sua pasta não será afetada pela redução de custo no orçamento do estado, anunciada recentemente por Geraldo Alckmin

da Redação
Apesar de o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) ter anunciado o contingenciamento de R$ 1,5 bilhão no Orçamento do Estado, a secretária Linamara Rizzo Battistella, da Pessoa com Deficiência, diz que sua pasta não será afetada, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada na edição desta terça-feira da Folha.
"Tenho carta branca para gastar." A prioridade serão projetos de "inclusão pela educação". A secretaria não está na lista do governo de pastas --Educação, Saúde, Segurança e Desenvolvimento Social-- que ficariam de fora da contenção.
Bruno Covas, secretário do Meio Ambiente, diz que "ainda é cedo" para dizer como a pasta será afetada pelo contingenciamento. O da Agricultura, João Sampaio, diz que a definição sobre cortes "está concentrada na Secretaria do Planejamento". Andrea Matarazzo, secretário da Cultura, considera as medidas "normais para todo começo de governo".

EUA aprovam novo teste de células-tronco embrionárias para cegos

Folha de S.Paulo
06/01/2011

Teste vai avaliar terapia para degeneração macular senil, causa mais comum de cegueira em idosos

da France Presse
A empresa de biotecnologia ACT (Advanced Cell Technology) anunciou nesta segunda-feira ter recebido sinal verde do governo para iniciar a segunda série de testes com células-tronco embrionárias humanas para tratar a cegueira, desta vez em pessoas mais velhas. O teste avaliará a habilidade da terapia para tratar com segurança pessoas com um problema conhecido como degeneração macular senil, o tipo mais comum de perda irreversível da visão entre pessoas com mais de 60 anos.
Ainda não há cura para a doença, que afeta de 10 milhões a 15 milhões de americanos e outros 10 milhões de pessoas na Europa, acrescentou a empresa.
A FDA (sigla em inglês de Food and Drug Administration), entidade que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, liberou, em novembro, a empresa sediada em Massachusetts para começar um teste similar com pacientes com uma forma progressiva de perda de visão juvenil, conhecida como doença de Stargardt. "A ACT agora é a primeira empresa a receber o aval da FDA para dois testes com hESC (sigla em inglês para células-tronco embrionárias humanas) e agora é um verdadeiro líder transnacional no campo da medicina regenerativa", declarou Gary Rabin, presidente interino e chefe executivo.
A companhia espera começar os testes clínicos nos Estados Unidos nos próximos meses e pretende procurar aprovação para testes similares na Europa.
Terceiro teste
O anúncio da ACT é o terceiro deste do tipo, depois que a empresa estadunidense Geron inovou no ano passado com a primeira tentativa já feita para usar tratamento com células-tronco embrionárias em um paciente com lesão na medula espinhal.
Assim como em outros testes com pacientes humanos, o primeiro passo nos testes de fase 1 e fase 2 da ACT é saber se a terapia é segura, antes de ver se funcionam. Em uma cobaia com degeneração macular, vimos uma notável melhora no desempenho da visão com relação a animais sem tratamento, sem quaisquer efeitos colaterais", disse Bob Lanza, cientista chefe da ACT.
Doze pacientes participarão do estudo em vários locais nos Estados Unidos, incluindo a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e a Universidade de Stanford.
A terapia usa células do pigmento do epitélio retinal (RPE) derivadas de células-tronco embrionárias para substituir as células de RPE danificadas em pacientes com a doença.
A degeneração macular senil, tipo da doença que ocorre em 90% dos casos, causa a deterioração da visão central quando as células de RPE na mácula do paciente, no centro da retina, perdem a habilidade de funcionar. Pacientes frequentemente experimentam um embaçamento no centro do campo de visão, enquanto a visão periférica permanece intacta.
"À medida que a população envelhecer, espera-se que dobre a incidência de denegeração macular senil nos próximos 20 anos, exacerbando esta necessidade médica, ainda sem solução", disse Lanza.

"História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil"

Sentidos
04/01/2011

Livro e documentário contam a evolução da luta pela inclusão de pessoas com deficiência por meio de pessoas que a vivenciaram

Izabel Maior
Capa dianteira e traseira do livro
O livro "História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil"busca, pela primeira vez, registrar a história do movimento de luta pelos direitos das pessoas com deficiência no País, bem como trata de resgatar as políticas públicas do Estado brasileiro sobre o tema. Foi uma longa jornada. Tanto a do movimento quanto a da produção desta publicação. O movimento forjou-se no dia a dia, na luta contra a discriminação, na busca incansável pela inclusão, na disputa política. Reconstituir essa trajetória era o desafio. Para enfrentá-lo, foi necessário pesquisa e muito trabalho. O ponto de partida: ouvir os próprios protagonistas desta história.
Nada sobre nós sem nós! Como eram muitos, 25 pessoas que participaram diretamente de fatos decisivos para as conquistas da população com deficiência foram escolhidas. A partir de suas memórias, e também de documentos, foi possível refazer o percurso. Em livro e também em documentário.
Entre os protagonistas estão lideranças com deficiência - física, intelectual, visual, auditiva ou múltipla - e especialistas. Todos atuaram no movimento, seja no surgimento ou na sua consolidação. Ao reviverem suas lembranças e tornarem públicos documentos, muitas vezes particulares, essas pessoas compartilham mais do que conhecimento, compartilham a história que ajudaram a construir. Ao longo de seus depoimentos, a visão individual, quase sempre carregada de emoção, conduz a narrativa, mostrando os esforços e mesmo as contradições do movimento, os avanços, os retrocessos, a necessidade de subverter a ordem para sensibilizar a sociedade e os governantes.
O que se percebe é a busca incansável pela transformação da sociedade brasileira, para ultrapassar uma visão caritativa e encarar os desafios de incluir as pessoas com deficiência como uma questão de Direitos Humanos. Iguais na diferença! Entrevistas, fotos, atas, convites, selos comemorativos, encartes, reportagens, tudo está devidamente registrado nas páginas seguintes.
Desde o Brasil Império até os dias atuais, o livro resgata as primeiras ações e instituições voltadas para as pessoas com deficiência: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos (hoje Instituto Benjamin Constant), o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos (atual Instituto Nacional de Educação de Surdos), as Sociedades Pestalozzi, as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes), além de centros de reabilitação, tais como a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Das obras assistenciais do século XIX à atualidade, o livro contextualiza historicamente os avanços e a quebra de paradigmas na área das pessoas com deficiência.
Esta publicação, tal qual o documentário, foca-se a partir da abertura política no final da década de 1970 e da organização dos novos movimentos sociais no Brasil. Nessa perspectiva histórica, vai além e mostra ainda os avanços nas políticas públicas do País, especialmente nos últimos oito anos, quando o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva instituiu a Agenda Social de Inclusão das Pessoas com Deficiência, elevou o status do órgão gestor da Política Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência - de Coordenadoria Nacional (Corde) à Secretaria Nacional - e o Congresso ratificou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, conferindo-lhe equivalência de emenda constitucional. Esta história não vem completa. Por se tratar de uma iniciativa pioneira, tanto no formato como na abrangência, a pesquisa privilegiou os personagens mais antigos, que representam as diversas correntes de atuação, as diferentes regiões do país e os tipos de deficiência.
Sobram lacunas a serem preenchidas com as lembranças de tantas outras pessoas que igualmente viveram e tiverem participação fundamental nesse processo. O livro presta homenagem in memoriam àqueles que dedicaram a vida à luta pelos direitos das pessoas com deficiência, reconhecendo por meio deles os milhares de militantes, na maioria anônimos, que também contribuíram, e ainda contribuem, para os avanços na inclusão das pessoas com deficiência.Esse livro e o filme documentário são a primeira etapa do projeto "Fortalecimento da Organização do Movimento Social das Pessoas com Deficiência no Brasil e a Divulgação de suas Conquistas". A sua realização se deve à cooperação internacional entre a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, por intermédio da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Ao resgatar e dar visibilidade à aguerrida história do movimento político das pessoas com deficiência no Brasil, o governo federal também cumpre com sua missão de promover os Direitos Humanos. E dá exemplo ao oferecer, livro e documentário, em formatos acessíveis. Traduzido para o espanhol e o inglês, o filme facilita a divulgação da história brasileira para a comunidade internacional.
A expectativa é que tanto o livro como o documentário possam servir como fonte de pesquisa e inspirar novos trabalhos. Da mesma forma, espera-se que esse esforço em registrar a história colabore para a emancipação, a identidade e o futuro, ainda mais forte, do movimento das pessoas com deficiência no Brasil e no mundo.
A Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência expressa seus mais sinceros agradecimentos a todas as pessoas que contribuíram para que este livro existisse e, em particular, àqueles que emprestaram seu tempo, sua militância e sua vida para tornar essa história real.
Izabel Maria Madeira de Loureiro Maior
Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência
DIREITO À ACESSIBILIDADE
Caro leitor, por favor, avise às pessoas cegas, com baixa visão, analfabetas ou por alguma razão impedidas de ler um livro impresso em tinta que esta obra está publicada em distintos formatos, conforme o Decreto nº 5.296/2004 e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU), ratificada no Brasil com equivalência de emenda constitucional pelo Decreto Legislativo nº 186/2008 e Decreto nº 6.949/2009:- OpenDOC, TXT e PDF no site www.direitoshumanos.gov.br, para que seja acessada por qualquer ledor de tela (sintetizadores de voz). O site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) está de acordo com os padrões de acessibilidade.
- CD em formatos OpenDOC, TXT, PDF e MECDAYSE encartado ao final deste livro (o software MECDaisy está disponível no site www.intervox.nce.ufrj.br/mecdaisy para download).
- Em Braille, quando solicitada pelo email corde@sedh.gov.br ou pelo telefone (61) 2025-3684.
Fonte: www.inclusive.org.br

Lutando por uma educação física inclusiva nas escolas

Rede SACI
04/01/2011

Rosangela Gera expõe suas ideias e leituras acerca do tema com base na experiência de sua filha com deficiência visual em idade escolar

Comentário SACITexto enviado no final de 2010 a um fórum de discussão sobre inclusão, do qual a Rede SACI participa.
Rosangela Gera
Oi pessoal, todos acompanharam aqui na lista alguns comentários meus sobre a participação da Laura nas aulas de educação física (aluna com deficiência visual, 8 anos, do ensino fundamental I) durante esse ano, posso dizer que da discussão que iniciei na escola, não houve mudança significativa, no sentido de que as reflexões não foram aprofundadas, apenas foi feita uma maquiagem para que a participação da Laura fosse mais efetiva, porém foram altos e baixos, volta e meia conversava com coordenador, professor, e os depoimentos da Laura se alternavam entre "hoje foi bom" e "eles não passam a bola pra mim porque sabem que eu sou cega e não vou acertar", ou "quando outra pessoa pega a bola todo mundo grita, quando eu pego ninguém fala nada porque eu sempre erro".
Vejo a educação física como uma disciplina tão importante quanto as demais e preocupa-me em especial a questão da auto estima, esse sentimento de estar lá mas não fazer parte, que tenho certeza deve ser vivida por muitas crianças com ou sem deficiência que por algum motivo não se identificam com certas aulas de educação física. Passei grande parte desse ano fazendo leitura sobre o assunto, descobri a proposta dos jogos cooperativos e me aprofundei em conhecimentos sobre a educação física na perspectiva da educação inclusiva, e a escola (pelo menos a da minha filha) precisa rever a sua prática de educação física.
No último dia de aula, sexta -feira passada, doei à escola os livros que fizeram parte desse estudo junto com uma carta a qual estou compartilhando com vocês e que enviarei a alguns pais e mães por e-mail para que juntos possamos cobrar da escola uma mudança de postura na questão dessa disciplina em particular, porque considero a partir do depoimento das próprias colegas da Laura, crianças sem deficiência, que queimada e outros jogos similares ninguém aguenta mais. Aqueles que tiverem sugestões, experiências, opiniões que possam compartilhar comigo sobre o assunto, agradecerei se me enviarem pois enriquecerá essa discussão com a escola.
Um abraço a todos e fiquem com a carta:
Coordenação Pedagógica / e Coordenação Educação Física Ensino Fundamental:
A leitura desse material me trouxe muitas informações que gostaria de compartilhar com os profissionais envolvidos com a educação física da escola. Por favor, não me levem a mal, ou vejam como pretensiosa a minha intenção, apenas pensem no meu papel de mãe, inquieta, dedicada e apaixonada pela educação inclusiva.
Penso na educação física como uma disciplina de grande importância curricular, que propicia aos alunos momentos de alegria, diversão, prazer, reforça vínculos afetivos, sociais, que os retira um pouco daquele ambiente sério de transmissão de conteúdos da sala de aula, para um ambiente de descontração e relaxamento tão importantes para o aprendizado. Mas, é no desenvolvimento da auto-estima do aluno que considero a sua contribuição fundamental e também perigosa . E é por isso que a esse estudo me dediquei.
Nessa leitura que fiz descobri que até o ano de 1980 era comum no Brasil as escolas se esforçarem no treinamento dos estudantes para que esses trouxessem troféus às mesmas. Após esse período a prática da educação física foi incorporando outros valores e esses campeonatos deixaram de ser o objetivo da disciplina. Também li que nos últimos 10 anos, a educação física foi a disciplina do ensino fundamental que mais passou por alterações.
Foi então, buscando a aplicação da prática da educação física escolar na perspectiva da educação inclusiva que iniciei uma “mini-pesquisa“ sobre o assunto. Porque a teoria já conhecemos, todos sabem sobre a legislação, mas de fato incluir todos os alunos em todas as aulas não é tarefa fácil, descobri que é preciso informação e planejamento. E foi buscando informação que, continuando a falar sobre a leitura que fiz, descobri professores de educação física escrevendo, estudando e desenvolvendo a prática de jogos cooperativos. Estes jogos não foram incorporados por causa da educação inclusiva, mas a ela se aplicam perfeitamente , porque não buscam competição, a seleção dos mais habilidosos, buscam cooperação, o prazer do jogo em jogar e não em vencer, o que implica necessariamente em derrotar outro, que sempre será considerado o mais fraco.
Preocupa-me então essa seleção que os jogos convencionais promovem entre os estudantes em aulas de educação física, a história de ser café com leite, de ser ou se sentir excluído, e de consequentemente ter afetada a auto-estima. Mas, será que jogar sem competir tem graça? Ou será que a pergunta mais apropriada seria: Porque só tem graça se tivermos que derrotar o outro? Em uma das referências um autor diz: ”A escola deveria ensinar os alunos a serem competentes em vez de serem competitivos.” E outro falou: “O jogo que ensinamos na escola é o jogo que será jogado na vida “. “Ensinar os alunos a serem cooperativos é uma tentativa de melhorar a nossa sociedade.“ Eles também citaram que o stress, e a ansiedade em uma partida competitiva, tira o prazer e o relaxamento que o jogar proporciona, porque o objetivo é ganhar do outro, e o jogo em si é jogado para se chegar ao final dele.
Enfim, acho que essa discussão é muito mais ampla do que a situação especifica da inclusão de alunos com deficiência nas aulas de educação física. Temos muito mais exclusões do que podemos imaginar, crianças que estão acima do peso, que são menos habilidosas, que têm vergonha de alguma parte do corpo, que lidam mal com as perdas, que são rotuladas a partir do seu desempenho em jogos, que simplesmente não se identificam com a prática de jogos, todas essas situações e tantas outras, são pertinentes a essa discussão, de maneira que trazer esse assunto à coordenação pedagógica, e à coordenação da disciplina em questão, me parece uma atitude apropriada.
Penso que levar esse assunto à comunidade escolar (pais e alunos) através de palestras com profissionais que têm alguma experiência sobre o tema(educação física na perspectiva da educação inclusiva), entre outras abordagens, é algo que poderia começar a operar as mudanças necessárias no modo de pensar sobre a educação física escolar em nosso meio.
Prezadas, gostaria de disponibilizar para os profissionais envolvidos com o tema a bibliografia em que fiz pesquisa. Espero como disse, apenas compartilhar essas informações, porque sem esse compartilhar nada poderemos produzir, criar, recriar, não é verdade?
E que essa leitura leve a reflexões.
E que a educação física possa fazer parte do repertório discutido nas reuniões pedagógicas com os pais. Por que não perguntar a eles, como seus filhos se sentem nessas aulas, qual a importância desse momento para eles? O que gostaria que fosse mudado? Ou não há nada para mudar? Qual o valor que os pais dão a essas aulas? Será que consideram sua importância? Ou estão todos, estamos todos nós apenas preocupados com os conhecimentos de provas de vestibular?
Todas nós vimos o tema do último vestibular da UFES: “Se você fosse radialista como convenceria seus ouvintes a terem uma alimentação saudável e não comerem carne?” Isso tem a ver com a educação física.
Enfim, tomara que esta iniciativa possa resultar em reflexões sobre o tema, e que a partir dela, possamos escola e família reconhecer, mais do que fazemos hoje, o valor dessa disciplina na vida de nossos filhos e alunos.
A todos, um abraço, e um 2011 de muita paz para todos,
Rosangela Gera.
Bibliografia:
Educação física adaptada - Vanja Ferreira
Educação física adaptada no Brasil - Rita de Fátima Silva
Educação física interdisciplinaridade, aprendizagem e inclusão - Vanja Ferreira
Trabalhando com jogos cooperativos - Marcos Miranda Correia
Brincando e aprendendo com jogos cooperativos - Reinaldo Soler
Educação física inclusiva na escola - Reinaldo Soler

Deficiente visual é músico, jornalista e comenta jogos de futebol no campo

Globo Esporte
Aracaju - SE, 03/01/2011

Rapaz de 24 anos de Aracaju, Sergipe, provou ser possível ver sem enxergar, nos gramados

da Redação
Lucas Aribé Alves tem 24 anos de idade e é deficiente visual. Nasceu com glaucoma, mas não deixou a limitação restringir sua vida. Aprendeu o sistema braille aos quatro em uma escolinha de Aracaju, Sergipe. Foi jogador de basquete e é campeão de dominó. Além disso, toca vários instrumentos musicais, é formado em jornalismo em uma universidade particular e escreve um blog sobre esportes na internet. Por fim, ainda sobre tempo para participar de programas esportivos de rádio.
Mas o que impressiona em Lucas é a sua habilidade para comentar partidas de futebol diretamente no local do jogo. Ao lado do narrador, ele consegue sentir o desempenho dos jogadores, inclusive do árbitro, e vai anotando cartões, lances, destaques, tudo que for preciso para fazer seu comentário
"Eu queria atuar no campo esportivo, é o que eu vou fazer. Narrador eu não posso ser porque preciso realmente ver pra poder narrar, então tenho que ser ou repórter, ou plantonista ou comentarista esportivo. A primeira chance no rádio foi no comentário e lá que eu ainda estou, sendo comentarista esportivo..."
Para assistir ao vídeo da reportagem acesse: http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2010/12/deficiente-visual-e-musico-jornalista-e-comenta-jogos-de-futebol-no-campo.html

Implante para deficientes auditivos virou programa municipal

Atibaia.com
Atibaia - SP, 03/01/2011

O fornecimento de implantes cocleares pela prefeitura de Atibaia agora é institucional

da Assessoria de Imprensa
O atual presidente da Câmara de Atibaia, o vereador Wanderley Silva de Souza, comemorou esta semana a inserção do programa que dá atendimento ao deficiente auditivo, e que inclui cirurgia de implante coclear, no quadro de serviços permanentes oferecidos pela Secretaria Municipal de Saúde. O projeto, implantado em Atibaia no final do ano passado, recebeu subsídios da Prefeitura para sua realização durante todo o ano de 2010 e, a partir de 2011, será institucionalizado programa municipal.
"O que começou há um ano como um projeto piloto torna-se, a partir de agora, um programa municipal contínuo e efetivo. Estou muito feliz por isso", comemorou o vereador. "É mais uma conquista, fruto do nosso trabalho em 2010, e com apoio total do prefeito Dr. Denig. Assim que as festividades de final de ano forem encerradas e a profissional responsável pelo projeto retornar de seu merecido descanso, retomaremos as atividades", afirmou.
Em 2009, um grupo de pais procurou o vereador. "Eram pais, assim como tantos outros que hoje são atendidos pelo projeto, que possuem filhos com problemas auditivos mas não têm condições financeiras de arcar com os custos de um tratamento como esse", explica Wanderley. A partir daí, o vereador intermediou, junto com a fonoaudióloga Ana Lúcia Aguirre - coordenadora do programa - reuniões com a Prefeitura para viabilizar o projeto. "Busquei o apoio do prefeito Dr. Denig, que foi receptivo e abraçou o projeto."
O programa inclui atendimentos em fonoaudiologia para os pacientes, e, quando necessário, encaminhamento para a realização de implante coclear - que é realizado na cidade de Bauru, uma das pioneiras na implantação da tecnologia no Brasil. "Atibaia não realiza esse tipo de cirurgia", explica Ana Lúcia.
Segundo a fonoaudióloga, o implante é indicado para perdas auditivas neurossensoriais bilaterais severas e profundas, tanto para as congênitas (pré-linguais) quanto para as adquiridas (pós-linguais), onde o uso do AASI (Aparelho de Amplificação Sonora Individual) não tem um resultado satisfatório. "É uma técnica para os pacientes que apresentam perdas auditivas por muito tempo e, por isso, não desenvolveram a fala", ressalta.
Em alguns casos, a criança é implantada ainda com oito meses de vida. "Por isso, o teste da orelhinha, realizado logo nos seis primeiros meses, é tão importante. Nesta etapa, os pais não conseguem identificar sozinhos a existência do problema, que se for precocemente diagnosticado, através dos testes realizados por uma equipe técnica, a criança passa a ser acompanhada e será avaliada a possibilidade do implante", explica a Dra. Ana.
O teste da orelhinha é realizado na própria maternidade e consiste na inserção de um microfone no conduto auditivo do bebê, emitindo um som que chega à cóclea (parte interna do ouvido, responsável pela audição), que emite outro som como resposta. Sem essa tecnologia, a surdez é detectada somente entre o primeiro e o quarto ano de vida, prejudicando, até então, a capacidade de comunicação da criança.
No atendimento particular, três sessões semanais de fonoaudiologia custam em torno de R$ 600,00. Hoje, o valor de uma cirurgia de implante coclear é alto - aproximadamente R$ 80.000,00 - já que todo o equipamento é importado. Nos grandes centros urbanos, os pacientes podem fazer a cirurgia através do SUS (Sistema Único de Saúde), mas a indicação tem que partir de um profissional de Fonoaudiologia, que também acompanha o caso e trata o paciente após a cirurgia. "Vale lembrar que, antes do projeto, alguns pacientes perderam a cirurgia por não terem um fonoaudiólogo responsável", conta a coordenadora.
"É um projeto de grande importância para a cidade, para a saúde integral da população e inserção do deficiente auditivo na sociedade. A comunicação é fundamental para essas crianças e jovens, portadores dessa deficiência, como forma de participar mais ativamente e se integrar integralmente na sociedade", ressalta o vereador Prof. Wanderley.
Para fazer parte do programa, os interessados devem procurar a Secretaria Municipal da Saúde, que fica na rua Bruno Sargiani, nº 100, no Pq. Jerônimo de Camargo. Telefone: (011) 4414-2220.

Medalhista paraolímpica volta a andar após dez anos

Folha de S.Paulo
03/01/2011

A atleta já disputou o Ironman do Havaí - uma das provas mais difíceis do mundo - enquanto deficiente, e agora quer repetir o feito como atleta comum

da Agêcia de Notícias
A holandesa Monique van der Vorst pode dizer que vive, hoje, uma terceira vida. Ex-atleta paraolímpica, aos 26 anos, ela passou no ano de 2010 o que muitos diriam que é impossível: voltar a andar depois de mais de dez anos, quando médicos davam como irreversível uma paralisia nas duas pernas.
A história de superação de Monique começou há 13 anos, quando ela, sonhando em ser uma atleta profissional, torceu o tornozelo jogando hóquei. Após um erro médico, uma simples lesão resultou na paralisia da perna esquerda e, um ano depois, na da direita. "Na época, vi que depois da consulta minha perna ficou roxa e fria. Dias depois parou de fazer qualquer movimento, e nenhum médico conseguiu me explicar o motivo. Minha família tentou tudo o que era possível para eu voltar a andar. Fomos a dezenas de médicos, mas ninguém entendia o que acontecia com minhas pernas", comentou.
Após um grande período deprimida, tentando se adaptar a nova vida, Monique conheceu o esporte paraolímpico, mais precisamente as corridas de cadeira de rodas e o handcycle (corrida de bicicleta onde se pedala com as mãos). Aos 15 anos participou da primeira competição nas modalidades. "Na época, o esporte me deu autoestima. Aprendi a pensar em possibilidades e não em limitações", disse ela.
Com o passar do tempo, Monique não pensava mais em voltar a correr. A atleta aprendeu, com o esporte, a viver com independência. Depois de muito treino, ela conseguiu atingir um de seus objetivos: a medalha nos Jogos Paraolímpicos de Pequim-2008. Em 2008, Monique competiu no handcycle, prova que foi medalha de prata.
Em 2009, ela também foi destaque do Ironman 2009 no Havaí, como uma das poucas atletas da modalidade paraolímpica a completar a prova. O Ironman do Havaí é uma das provas mais difíceis do mundo e consiste em um triatlo de 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida (equivalente a uma maratona).
Na temporada de 2010, Monique começou a preparação para os Jogos de Londres, em 2012. O objetivo era deixar a segunda colocação para trás e conquistar dois ouros. Mas o sonho, novamente, não será possível: dois acidente mudaram a vida da atleta. Um primeiro em março deste ano, quando estava treinando e uma companheira se chocou contra ela. O impacto a fez cair no chão e, surpreendentemente, as pernas reagiram com espasmos. "No começo fiquei muito triste com o acidente porque minha preparação para a temporada tinha sido afetada e temia não poder estar bem nos Jogos de Londres", revelou a ex-atleta.
O outro acidente ocorreu em junho e resultou em um momento único na vida de Monique. Durante o treino, ela foi atingida por um carro e sofreu danos na medula espinhal. Neste momento, as pernas voltaram a formigar e em poucos dias ela já podia senti-las.
No primeiro momento, ter a possibilidade de voltar a andar foi um choque. "Não foi fácil para ela abandonar a possibilidade competir nos Jogos Paraolímpicos. Tivemos que apoia-la muito para fazer esta transição", disse André Gatos, chefe da missão paraolímpica da Holanda.
Os resultados dos exames foram tão fora do comum, que todos os médicos que cuidavam de Monique ficaram surpresos com o novo quadro. "Milhares de pessoas tem lesões na medula espinhal, cada uma com sensações diferentes no corpo. Mas é incomum poder andar de novo", afirma o médico John Ridwell, especializado em lesões da medula espinhal na Universidade de Glasgow.
Em julho, Monique começou a fazer fisioterapia e em dezembro a ex-atleta se emociona por poder dar seus primeiros passos nesta nova vida. "Competir foi uma grande paixão. Agora é difícil porque eu preciso encontrar um novo propósito na vida. Mas sei que vou superar", falou Monique.
Nesta nova fase da vida, a holandesa já tem um novo objetivo também: "Seria um sonho poder participar do Ironman, mas desta vez como uma atleta comum", finalizou.

O Projeto, Praia para Todos

O Projeto, Praia para Todos pretende expandir suas atividades


Neste verão o projeto Praia para Todos entra em uma nova fase, após adquirir importante experiência e colher os dados fundamentais para a consolidação do mesmo. O objetivo atual da instituição é fixar pontos em cada uma das principais praias da cidade do Rio de Janeiro, onde as atividades e as conquistas de acessibilidade deverão ser continuas e permanentes.

O local escolhido para iniciar esta fase foi a Praia da Barra da Tijuca - Posto 3. Esse local foi o preferido pela maioria dos usuários e também pela equipe por causa das condições propícias de seu entorno. Estamos trabalhando em parceria com a Orla Rio e a Prefeitura para que este posto se torne um modelo de acessibilidade para futura replicação em outros pontos.

Conheça a praia acessível, inclusiva e verdadeiramente DEMOCRÁTICA. Colabore disseminando e participando dessa iniciativa!

Local: Praia da Barra da Tijuca, Posto 3 - em frente à Praça do Ó
Data: Todos os sábados
Horário: 9h às 14h

Confira as atividades oferecidas pelo PRAIA PARA TODOS:

Esteira para passagem de cadeiras de rodas
Cadeiras anfíbias - de fácil deslocamento pela areia e que flutuam na água
Atividades esportivas adaptadas como frescobol, vôlei sentado de praia, peteca e surf adaptado (com apoio de Rico de Souza)
Handbike para empréstimo
Jogos recreativos, piscina e brinquedos para crianças
Vagas de estacionamento reservadas, rampas de acesso à areia, sinalização sonora e piso tátil
Barracas de sol e tendas de apoio com equipe especializada.